A música, no geral, me causa um sentimento de completude difícil de explicar. Foi por isso que eu criei o Rock Band. Algumas músicas me causam sensações tão fortes que eu senti a necessidade de conversar sobre. Dead In The Water, do Noel Gallagher, é uma delas.

Antes de qualquer coisa, você precisa saber que essa música não era para entrar no álbum Noel Gallagher’s High Flying Birds, a música não era nem para ter sido gravada. Após uma gravação de rádio em Dublin, enquanto a equipe arrumava o estúdio, Noel decidiu tocar essa nova música, só por tocar. Ele achou que o barulho de fundo tinha uma sonoridade interessante. A gravação deste momento, original, está no Youtube do cantor, e podemos ouvir alguém perguntando ao fundo “isso é novo?”.

O próprio cantor decidiu não regravar a música, por ser um momento cru, um momento puro, que nenhuma nova gravação poderia reproduzir. O caráter intimista da música é muito mais que isso. O sentimento literalmente estava ali, fresco. Noel estava cantando para si mesmo.

Essa música me conquistou desde a primeira vez. A mistura da melodia com a harmonia é emocionante mesmo à um ouvido despreparado.

Mas aí, vem a letra.

“Deixe a tempestade se enfurecer, eu morreria nas ondas, mas eu não vou descansar enquanto o amor está morto na água.”

Não sei dizer se a maneira como esses versos são cantados na música que causa o tamanho buraco no meu estômago, ou se é o fato de que eu entendo o que ele quis dizer. Veja, eu descobri essa música enquanto me apaixonava, e ela fez sentido, mas também fez sentido algum tempo depois, quando o amor acabou, porque o amor, em todas as duas fases, envolve dedicação.

A sensação de particularidade que a obra passa é rara. Me sinto sozinha em uma sala com Noel, mas ele não me vê. É como se a música só existisse dentro da minha cabeça.

Perto do fim, ouvimos um solo de violão, acordes pesados junto à um piano, trazendo a energia da tempestade mencionada. Você consegue sentir a dor que a composição carrega. A dor de um amor com lembranças que ainda estão vivas, que ainda são engraçadas. A dor de ter um “buraco” na cabeça por onde a chuva entra. A dor de uma amor que você não quer que vá embora, mas o amor está morto na água.

Ouço Dead In The Water sempre que preciso entrar mais fundo dentro se mim mesma. Sempre que quero me teletransportar para um momento só meu. Esse é o tipo de magia que a música é capaz de causar. Será que mais alguém no mundo sente?

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