uma review de show emotiva.

Eu acabei de sair da Audio, onde aconteceu o show da Fresno, e já estou aqui escrevendo sobre ele. Isso porque fazia muito tempo que eu não me emocionava tanto ao ouvir alguém ao vivo.

A banda está performando a turnê do seu mais novo álbum, Sua Alegria Foi Cancelada. Não se engane pelo nome do disco, o EMO está sim muito vivo, mas a banda está na fase mais madura e otimista de sua carreira. Como o próprio Lucas Silveira disse hoje, poucas bandas no Brasil podem fazer o que eles estão fazendo. Com 20 anos de carreira os músicos ainda estão lançando músicas novas e sendo muito bem recepcionados pelo público, que cantou tudo a noite inteira.

A era da Alegria Cancelada veio unida a um tom de amarelo, muito bem aplicado nas comunicações da banda, e presente desde o cabelo do vocalista até as roupas dos fãs. Já o palco estava simples, apenas uma cortina preta ao fundo. O foco da noite foram as músicas.

O show já começou com o peso de Arrocha Mais Triste do Mundo e Isso Não É Um Teste. Os fãs cantaram os lançamentos em coro. We’ll Fight Together foi até acompanhada de um mosh pit. Fresno é isso, a gente pula e chora, tudo junto.

Eu, como uma fã de mais de 10 anos da banda, fiquei muito emocionada quando as músicas antigas também apareceram no setlist. Quebre As Correntes, Absolutamente Nada, Porto Alegre, Milonga… literalmente de arrepiar.

Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco de Minhas Lágrimas foi um dos momentos mais especiais da noite pra mim. Fresno me acompanhou em momentos realmente difíceis da adolescência, e foi essa conexão que me deu forças quando eu não sabia como continuar. Foi esse sentimento de compreensão que fez eu me apaixonar tanto pela música, e ainda faz.

Foto que eu fiz no ápice da emoção.

Eu Sou A Maré Viva, que contou com a participação de Emicida, foi precedida por um discurso lindamente político vindo do vocalista: “Quem está lá, dando ordens, distribuindo ódio, falando do que não sabe […] quem não acredita no que a gente e outros artistas maravilhosos estão cantando […] não da pra acreditar que não fica nada na cabeça”. “Toda vez que a gente canta uma musica ela se materializa, então vamos aproveitar esses minutos e cantar sobre esperança […] a gente cria isso quando muitas pessoas cantam juntas […] obrigado por serem testemunha disso”. A música realmente vai salvar o mundo.

O show foi encerrado com Quando Eu Caí, a música mais emocionante do álbum novo, na minha opinião. Foram 5 minutos em que eu desejei que todo mundo tivesse a oportunidade de ouvir as palavras que foram cantadas nessa noite.

A Fresno sempre falou sobre sentimentos. Mas, quem acompanha a banda até hoje pode notar nas letras atuais um discurso muito positivo sobre como eles amadurecem, como a dor muda, e como a gente sobrevive.

Os músicos acharam que nunca mais teriam o gosto de tocar para uma casa cheia novamente, mas eles persistiram, e foi essa “persistência quase estúpida” que os trouxe tão longe.

“Olha o que a gente já fez

Pode ser estupidez

Mas eu faria

Outra vez”.

Ainda bem que a gente não tem mais medo Lucas.

Ainda bem que a gente virou canção.

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